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Semente de soja está mais barata, mas produtor adia compra

Semente de soja está mais barata, mas produtor adia compra

O preço da semente de soja teve queda de 22,2% em Mato Grosso em junho de 2023 ante o mesmo período do ano passado. A informação parte do último levantamento de custos de produção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Quem aproveitou essa baixa foi o produtor rural José Eduardo Macedo Soares, que já comprou todo o insumo necessário para semear os 1.300 hectares de sua fazenda em Lucas do Rio Verde, no centro do estado.

Contudo, ele se queixa da relação de troca, em nível menos favorável agora por conta da baixa dos valores pagos pela saca de soja em relação a 2022.

Já o produtor Jorge Giacomelli, de Jaciara, sudeste mato-grossense, conta que as sementes são o único insumo que falta para ele finalizar as compras da safra 23/24.

“Mas já estou com os orçamentos todos prontos, só falta analisar. Notei que os preços desse insumo reduziram cerca de 25% em relação ao ano passado”.

Entretanto, mesmo com a baixa dos preços, o nível de comercialização das sementes está abaixo do registrado no ano passado. Além disso, também é inferior em comparação à média histórica. Mas por quê?

Venda de sementes

A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) indica que cerca de 65% do insumo necessário para a instalação da safra 2023/24 foi vendido no país até o momento. Em julho do ano passado, esse nível girava em torno de 90%.

“Alguns estados, como Mato Grosso, praticamente finalizaram as compras, mas considerando a média brasileira e se atentando para os produtores de outros grandes estados, como Goiás e Minas Gerais, por exemplo, a média é essa e está bem abaixo dos últimos anos”, afirma Luís Salomão, da diretoria da entidade.

De acordo com ele, a queda nos preços do principal insumo da cultura a nível Brasil são semelhantes à observada em Mato Grosso.

Comercialização no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o gerente de contas da Kynetec, empresa de análises de dados agrícolas, Lucas Alves, afirma que a venda do insumo também está aquém do observado nas últimas safras. Lembrando que o estado plantou soja em 6,5 milhões de hectares nesta última safra.

No entanto, uma das particularidades do produtor gaúcho é utilizar mais sementes salvas. Assim, produz o insumo em sua própria fazenda que, pelas características topográficas do estado, costuma ter áreas menores.

“Em janeiro deste ano, quando fizemos as nossas primeiras pesquisas de mercado, tínhamos a estimativa de que em abril, a nível nacional, estaríamos 10 pontos percentuais à frente do que vinha sendo observado nos últimos anos [quanto à comercialização de sementes]”, conta Alves.

Contudo, ele lembra que a saca da soja desvalorizou aproximadamente 25% de janeiro até junho, tendo uma retomada apenas em julho.

“O produtor, frente a esse movimento, foi ficando cada vez mais cauteloso e adiando essas compras”.

Relação de troca

O gerente da Kynetec conta que, geralmente, o produtor adquire a semente com antecedência. “Mas, este ano, por conta do preço da soja, da liberação dos recursos, ele deu uma atrasada na compra”.

Já a relação de troca, que costuma ser a principal ferramenta utilizada pelos sojicultores na obtenção de insumos, também não está atrativa no caso das sementes, relata Alves.

Nessa linha, Salomão, da Abrass, destaca que apesar da baixa da semente, os custos do material genético, da biotecnologia, do tratamento da semente e dos royalties são fatores que encarecem o produto.

“Da última safra para esta, os royalties com a biotecnologia tiveram alta de 14%. A biotecnologia é o principal custo nas sementes, já que em relação ao germoplasma, as sementeiras trabalham com preços travados”, detalha.

Apesar disso, Alves observa que o produtor tem acesso ao pacote completo da semente. Portanto, não consegue extratificar quais fatores incidem mais ou menos nesse custo total.


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