Resultados do ECR Soja 2022/2023 são divulgados pela Farsul e Fundação Pró-Sementes

Resultados do ECR Soja 2022/2023 são divulgados pela Farsul e Fundação Pró-Sementes

O Sistema Farsul e a Fundação Pró-Sementes divulgaram, nesta quarta-feira, (26/7), o resultado dos Ensaio de Cultivares em Rede – ECR da safra de soja 2022-2023. O ECR Soja é uma pesquisa aprofundada sobre o cultivo do grão no Estado, servindo como uma ferramenta para auxiliar a tomada de decisões do produtor e das assistências técnicas gaúchas.

O estudo da safra 2022/2023 foi realizado em três microrregiões produtoras de soja no estado, que se dividem em 11 municípios. Foram analisadas as safras de duas épocas diferentes de semeadura das cidades de Pelotas, Cachoeira do Sul, Cacequi, São Gabriel, Bagé, São Luiz Gonzaga, Júlio de Castilhos, Santo Augusto, Passo Fundo, Lagoa Vermelha e Vacaria.

Quarenta cultivares foram analisadas no período, definidas através da maior representatividade de hectares aprovados para a produção de sementes, indicados no Zoneamento Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o Estado. Os cultivares foram separados em dois grupos. O primeiro deles com GM 5.0 à 6.1 (31 cultivares) e o segundo com GM 6.1 à 6.5 (9 cultivares). As tecnologias utilizadas foram IPRO, IX2, E e RR. A amplitude da produtividade regional no estudo variou de 17 scs/ha em Cachoeira do Sul até 77 scs/ha em Vacaria. A produtividade máxima alcançada foi em Vacaria, com 108 scs/ha.

Os dois ensaios conduzidos em Bagé, assim como os ensaios conduzidos na várzea de Pelotas e Cachoeira do Sul foram perdidos devido aos efeitos da estiagem. A Gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, apontou que “as condições climáticas foram bem difíceis, tivemos uma estiagem bem severa. Nesta safra houve uma inversão da produtividade das áreas no Estado. Ano passado o destaque ficou para a produtividade da metade sul, já neste ano a situação ficou melhor para a região norte.” Kehl utilizou as amostras de Cachoeira do Sul para exemplificar a situação da seca no Estado, “a demanda de água da soja, do plantio a colheita, varia entre 450mm e 800mm. Em Cachoeira do Sul, por exemplo, o total de chuvas não atingiu nem o mínimo necessário. É uma situação bem crítica.”

Gedeão Pereira, presidente do Sistema Farsul, em mensagem lida por Elmar Konrad, 1º Vice-Presidente e coordenador da Comissão de Grãos da Farsul, também destacou o período de estiagem pela qual passa o Rio Grande do Sul. “Nas duas últimas safras de verão, nosso setor foi fortemente impactado pela estiagem, logo após termos alcançado o posto de segundo maior produtor de soja. A Farsul, juntamente com a Fundação Pró-Sementes, e com o apoio do Senar RS e da Bayer, oferece ao produtor essa ferramenta sobre as cultivares do Estado. É um trabalho contínuo de mais de uma década e seus resultados são importantíssimos.” Konrad ainda ressaltou que “a posição da Farsul, nesta gestão e em gestões anteriores, é a de dar valor a pesquisa e a continuidade dela, visando a constante evolução do agro gaúcho”. Hugo Boff, presidente da Fundação Pró-Sementes, destacou a importância da pesquisa: “A quantidade de informação que essa pesquisa proporciona para o produtor é primordial, e acreditamos que ela possa perdurar até para além do Estado.

Marcos Puhlmann, gerente de soja da Bayer, corroborou a relevância do ECR, “ele nos ajuda a fazer um condicionamento das principais variedades para diferentes regiões do Rio

Grande do Sul e informar o produtor. É um orgulho para a Bayer estar junta e apoiar o agricultor gaúcho neste projeto.” O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, ressaltou o alto nível técnido do estudo. “Não estamos falando de um trabalho singelo. Esse é muito provavelmente o trabalho mais completo feito no território gaúcho, em poucos Estados é possível encontrar trabalhos semelhantes”, e completa “é um assunto extremamente relevante, conduzido por entidades absolutamente sérias no que estão falando.”

Microrregião 101

Na microrregião 101, a cultivar com maior produtividade foi a BS2606 IPRO, em Cacequi, com 76 scs/ha, no ciclo precoce da 1ª época de semeadura. Em Cachoeira do Sul, destacou-se a DM 56I59RSF IPRO, com 27 scs/ha e, em São Gabriel, a DM 56I59RSF IPRO, com 42 scs/ha. No ciclo precoce da 2ª semeadura, Cachoeira do Sul teve destaque com a C2530 RR, com 28 scs/ha. Já no ciclo médio/tardio de 1ª época, a BMX GARRA IPRO se destacou em Cachoeira do Sul, com 35 scs/ha. Em São Gabriel, a DM 64I63 IPRO produziu 39 scs/ha. Já na 2ª época de plantio do ciclo médio/tardio, a DM 64I63 IPRO rendeu 34 scs/ha em Cachoeira do Sul.

Microrregião 102

O destaque da microrregião 102 foi em Passo Fundo, onde a BMX LÓTUS IPRO rendeu 85 scs/ha durante o ciclo precoce da 2ª época. No mesmo período, em Júlio de Castilhos, a BS2606 IPRO produziu 60 scs/ha. Em São Luiz Gonzaga, M 5947 IPRO com 45 scs/ha, e em Santo Augusto, a cultivar BMX LANÇA IPRO, com 57 scs/ha. Na 1ª época do ciclo precoce, a BMX LÓTUS IPRO rendeu 81 scs/ha em Passo Fundo, a BS2606 IPRO com 53 scs/ha em Júlio de Castilhos, a NEO 580 IPRO com 35 scs/ha em São Luiz Gonzaga e a BMX LANÇA IPRO com 62 scs/ha em Santo Augusto. Os resultados do ciclo médio/tardio da 1ª época foram a BMX NEXUS i2X em Passo Fundo, com 83 scs/ha, DM 64I63 IPRO com 60 scs/ha em Júlio de Castilhos e 52 scs/ha em Santo Augusto, M 6110 i2X com 36 scs/ha em São Luiz Gonzaga. Na 2ª época do ciclo médio/tardio, destacaram-se a BMX GARRA IPRO com 83 scs/há em Passo Fundo e 71 scs/ha em Júlio de Castilhos. A DM 64I63 IPRO apresentou resultado de 44 scs/ha em São Luiz Gonzaga e 52 scs/ha em Santo Augusto.

Microrregião 103

O destaque foi em Vacaria, onde a BMX ZEUS IPRO produziu 108 scs/ha no ciclo precoce. Em Lagoa Vermelha, a cultivar rendeu 73 scs/ha. No ciclo médio/tardio, a BMX COMPACTA IPRO teve rendimento de 73 scs/há em Vacaria. Já em Lagoa Vermelha, a BMX FIBRA IPRO rendeu 74 scs/ha. Kehl apontou a importância da escolha de semente utilizando a cidade de Passo Fundo como exemplo. A diferença de produtividade entre as cultivares de maior e menor rendimento foi de 27 scs/há, o que corresponde a uma variação de R$ 3.645 por hectare, considerando o preço médio de R$ 135,00 por saca de soja.

O Ensaio

O Ensaio de Cultivares em Rede – ECR reúne dados sobre o desempenho de diferentes cultivares nas principais regiões produtoras de soja do Rio Grande do Sul. Ele vem sendo realizado há mais de uma década pelo Sistema Farsul e Fundação Pró-Sementes. Como os experimentos são implantados e conduzidos de maneira uniforme, em todos os locais, permite ao usuário da informação uma melhor visualização do conjunto de cultivares indicadas para a sua região, contribuindo assim para que alcancem maior lucratividade no negócio. Outro fundamento importante é o compromisso em disponibilizar os resultados o mais cedo possível, permitindo assim, em tempo hábil, auxiliar na tomada de decisão para a escolha da cultivar a ser plantada na safra seguinte. Os resultados de todos os Ensaios de Cultivares em Rede estão disponíveis aqui. Além disso, o Sistema Farsul distribui aos Sindicatos Rurais a publicação impressa dos resultados a cada safra.


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