Mais de R$ 11 bilhões para o setor de biocombustíveis em Minas

Mais de R$ 11 bilhões para o setor de biocombustíveis em Minas

Mais de R$ 11,3 bilhões e geração de cerca de 1,6 mil empregos diretos, sobretudo na região do Triângulo Mineiro. Um dos maiores conjuntos de investimentos da história do setor de biocombustíveis e açúcar foi anunciado nessa sexta-feira (22), na Cidade Administrativa, pelo governo de Minas Gerais e a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

O aporte anunciado é a soma de investimentos feitos por 12 grupos econômicos, sobretudo na região do Triângulo Mineiro, em toda a cadeia produtiva da energia renovável, desde o plantio, passando pela colheita até a produção de energia. A expectativa é que, com isso, o Estado dê um salto na produção de biocombustíveis e no objetivo de  descarbonização da economia por uma transição ambientalmente responsável.

De acordo com o presidente da Siamig, Mário Campos, são muitas as melhorias previstas, em andamento ou já inauguradas, como a construção de um terminal rodoferroviário na cidade de Iturama, no Triângulo Mineiro, que está interligada ao trecho da Ferrovia Norte-Sul sob concessão da Rumo, maior operadora de ferrovias do País, cabendo a ela o transporte ferroviário até o Porto de Santos. “Minas é o segundo maior produtor de açúcar do Brasil e o segundo maior exportador. Então, ter essa logística para escoamento do produto é muito importante. É uma facilidade no escoamento da produção”, comentou.

Além do terminal, Campos conta que estão sendo feitos investimentos na expansão da área plantada, o que significa aumento de produtividade. Investimentos na modernização da irrigação, em diversificação de produção dentro da agroindústria, ou seja, maior produção de etanol, de açúcar, de bioenergia como um todo. Mais investimentos também na área de estocagem, em automação, reforma e expansão das plantas industriais. “Temos ainda investimentos em máquinas que são as colhedoras, em caminhões, e, portanto, toda estrutura necessária para a operação está recebendo investimentos”, diz.

Tanto investimento no Estado justificado, na opinião de Campos, por uma série de motivos que somados tornam o Estado de Minas Gerais um ambiente de negócio favorável ao desenvolvimento da atividade canavieira. “Minas é um Estado que abraçou o setor. Temos a vocação, principalmente das raízes produtoras no Triângulo Mineiro e na região Nordeste. Além disso, temos um mercado consumidor pujante e a menor alíquota do Brasil”, avaliou, referindo-se ao Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) que hoje, em Minas é de 11,63% para o setor. 

Durante o anúncio na Cidade Administrativa, o governador Romeu Zema destacou as vantagens do setor para uma economia verde e, principalmente, para movimentar veículos a base de etanol.

“Quero manifestar o meu otimismo com o setor sucroenergético e dizer que precisamos mostrar mais as vantagens que ele oferece. Temos aqui uma solução barata. O carro elétrico vai ter o seu lugar, mas precisamos deixar claro que o carro movido a etanol é tão bom ou até melhor para uma economia verde”, disse o governador.

Minas lidera transição energética no País

De acordo com informações da Invest Minas, Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Minas Gerais lidera a transição energética no Brasil. 

Conforme os dados da Agência, o Estado já figura entre os maiores produtores de etanol do País, sendo que 93% da produção das usinas são destinados ao mercado interno. São 36 unidades industriais do setor sucroenergético, com maior concentração no Triângulo Mineiro, onde estão instaladas 22 unidades. São 108 municípios canavieiros que, juntos, plantam 1 milhão de hectares de cana, empregando cerca de 180 mil pessoas.

Para reforçar este cenário, o presidente da Siamig revela que Minas está entrando na quarta safra de resultados financeiros positivos. Ele ressalta que, particularmente, este ano, além do retorno financeiro, o setor está tendo também uma resposta positiva da produção. “Devemos fazer este ano a maior safra da história do Estado. Ao que tudo indica podemos chegar a 75 milhões de toneladas de moagem, de cana-de-açúcar processada. Nosso recorde anterior era 70 milhões de toneladas na safra de 2020”, comentou. 

Após a reunião, o governador Romeu Zema ainda conheceu o “carro mais sustentável do mundo”, que pertence à Siamig. O carro é elétrico, mas também funciona à base de etanol, contribuindo para redução de emissão de gases e, consequentemente, com a preservação ambiental.


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