CNA participa de evento da Embrapa Agroenergia sobre pesquisa e inovação

CNA participa de evento da Embrapa Agroenergia sobre pesquisa e inovação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou da 7ª edição do Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia (Vll EnPI), que aconteceu de 24 a 26 de outubro, em Brasília. O evento foi realizado pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, palestrou, na terça (24), no painel sobre ‘Análise de Mercado: Demanda, oferta e competitividade dos bioprodutos na economia sustentável’, moderado pelo chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Galvêas Laviola.

Em sua apresentação, Lucchi afirmou que o Brasil tem se destacado como um dos principais produtores de algodão do mundo, superando os Estados Unidos, que possui certificação e rastreabilidade. “A safra 2022/23 de algodão totalizou 3 milhões de toneladas de pluma, das quais mais de 84% possui certificação socioambiental”.

Bruno também falou sobre os bioprodutos para a produção de biocombustíveis e seus desafios. Segundo ele, o Brasil é destaque mundial na produção de biodiesel, sendo um dos principais bioprodutos da agropecuária brasileira. Em 2022 o país produziu mais de 6,4 bilhões de litros desse combustível renovável, dos quais 66% é oriundo do óleo de soja, mas com forte contribuição das gorduras animais (12%).

“O principal desafio da cadeia é com relação à mistura do biodiesel no diesel, que atualmente é 12%. A meta é sustentar o cronograma para chegar em 15% no ano de 2026”, explicou Lucchi.

A respeito do etanol, o diretor destacou que para a safra 2023/2024, o Brasil estima a produção de 27,7 bilhões de litros de etanol, dos quais 11,6 bilhões será de etanol anidro (mistura na gasolina) e 16,1 de hidratado (uso puro). “Mas, a revolução mais recente nesse setor tem sido a produção de etanol de milho, que já corresponde a 6,1 bilhões”.

Bruno disse que a combinação produção de alimento, ração animal e biocombustíveis tem sido uma alternativa de equilíbrio de mercado para a produção de grãos. “O milho produzido em ILPF talvez seja o maior exemplo nacional de economia circular: o cereal é produzido para diversas finalidades, incluindo a de etanol, a madeira do cultivo é usada como fonte de energia no processo industrial e os resíduos para a suplementação alimentar dos animais criados a pasto em ambiente sombreado”.

Em relação aos desafios da cadeia, ele citou a estruturação de um ambiente regulatório e o aprimoramento do Renovabio, considerado um dos principais programas de descarbonização do mundo e que pode ser um dos passos para ampliar a competitividade da produção sustentável de bioprodutos da agropecuária brasileira.

Para o representante da Confederação, os bioprodutos são importantes insumos e mecanismos que podem contribuir com a redução da dependência externa do Brasil. “Fica cada vez mais eminente a necessidade do desenvolvimento tecnológico do país em prol da busca de insumos mais eficientes, com menor impacto ambiental e com menos custo”.

“O principal desafio do setor de bioinsumos é a regulamentação, que precisa ser adequada para não inviabilizar o processo de produção on farm (na fazenda). Além disso, deve ser segura e eficiente, garantindo a segurança na manipulação do produto e ampliando de forma sustentável a competitividade dos agricultores brasileiros”, concluiu Bruno.

Participaram também do painel o conselheiro e diretor de Novos Negócios da Agrivalle Brasil, Edsmar Carvalho Resende, o gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso, e o diretor de Transição Energética da Raizen, Mateus Lopes.


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