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Agro brasileiro comercializou R$ 7,4 trilhões em 2022, aponta estudo inédito

Agro brasileiro comercializou R$ 7,4 trilhões em 2022, aponta estudo inédito

As empresas do agronegócio e os produtores rurais brasileiros comercializaram 7,39 trilhões de reais em 2022, o equivalente a 31,96% das operações de compra e venda registradas no país. Apenas soja, milho e carnes responderam por 2,08 trilhões de reais dos negócios entre janeiro e dezembro do ano passado, representando 28,2% das transições. 

Os dados são de um estudo inédito divulgado nesta quarta-feira, 20, pelo Empresômetro, uma spin-off do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A análise, que levou seis meses e considerou notas fiscais eletrônicas cuja CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica) é diretamente relacionada ao agro, tem como objetivo mapear e entender cada segmento do setor.

No levantamento, o Empresômetro mapeou dois tipos de valor: o comercializado e o transacionado. O primeiro se refere às transações que geraram, efetivamente, uma nota de compra e venda. Já o segundo trata de transações como um todo, incluindo, por exemplo, operações em que um mesmo produto passa por diferentes etapas do campo ao consumidor.

A partir disso, o valor transacionado pelo agro foi de R$ 11,29 trilhões – 32,92% do total do Brasil no ano passado, que chegou a R$ 34,29 trilhões. A soja é um exemplo desta transação. Vendida do produtor à cooperativa, depois para a trading até chegar à China, a mesma commodity passa por quatro operações. Neste sentido, o valor foi movimentado, mas a comercialização é a compra e venda inicial, sem haver duplicidade no cálculo do Empresômetro. 

10 maiores grupos de comercialização

O estudo do Empresômetro também agrupou os registros das notas fiscais em 26 grupos do agronegócio. Os 10 com maior participação no valor comercializado foram soja (15,13%), insumos (13,86%), carnes (7,72%), máquinas e equipamentos (7,41%), alimentação humana (6,59%), milho (5,33%), bebidas (4,83%), animais vivos (4,31%), álcool (4,27%) e café (3,03%).

Somente a soja teve um valor transacionado de R$ 1,64 trilhão em 2022. Já o total comercializado chegou a R$ 1,12 trilhão – 17,92% por meio de produtores rurais pessoa física (R$ 200,46 bilhões).

A definição do que faz parte do agro considerou tanto a produção agropecuária da porteira para dentro quanto outras partes da cadeia, como indústria de transformação, insumos e serviços. As bebidas foram incluídas como um ramo do agronegócio porque contêm matéria-prima de origem vegetal – cerveja, vinho e cachaça, por exemplo, têm origem de cevada, uva e cana. O mesmo vale para os biocombustíveis, como etanol e biodiesel.

Gilberto Luiz do Amaral, sócio e head de estudos do Empresômetro, destaca que o raio-x busca se aprofundar mais em dados relativos ao setor e será atualizado anualmente. “Acreditamos que isso ajudará a entender melhor cada segmento, tanto as demandas quanto o volume de negócios e as empresas. Também poderá servir de subsídio para outros estudos, tanto para a formação de políticas públicas quanto para apoiar a área privada e pesquisas acadêmicas”, afirma.

PIB e contribuição em impostos

A pesquisa calculou que o Produto Interno Bruto (PIB) do agro foi de R$ 2,58 trilhões em 2022, o que representa 26,02% do total do país (R$ 9,92 trilhões). “Ajuda nessa conta o fato de o agro ser um setor que exige emissão de notas fiscais eletrônicas em diferentes etapas da cadeia, a exemplo de áreas como e-commerce e medicamentos”, ressalta Amaral.

O levantamento ainda indicou que o agro correspondeu a 23,65% da arrecadação tributária do Brasil no ano passado, sendo responsável por R$ 790,51 bilhões de um total de R$ 3,34 trilhões. O setor primário respondeu por 18,87% do valor total de tributos – menor na comparação com os setores secundário (47,33%) e terciário (33,80%).

Esse dado mostra que, apesar dos subsídios, o agronegócio tem uma contribuição expressiva no montante total porque há incidência de tributos ao longo da cadeia produtiva. “Este valor é o que o agronegócio recolheu efetivamente. Então, por exemplo, a produção de carne paga menos imposto por ter incentivo fiscal, mas há taxação quando o produto passa pelo frigorífico, por um atacadista e pelo açougue ou supermercado até chegar ao consumidor”, explica o sócio e head de estudos do Empresômetro.

Por dentro das empresas do agro

O levantamento também mapeou que há 24.284.126 empresas no Brasil. Destas, 3.038.942 são do agronegócio (12,51%). A maior parte é do setor terciário, com 1.228.630 estabelecimentos (40,43%). Além disso, há 988.992 no setor secundário (32,54%) e 821.320 no primário (27,03%).

As empresas do agro ainda foram caracterizadas pelo seu porte, como microempreendedor individual ou MEI (faturamento até R$ 100 mil), micro (de R$ 100 mil a R$ 3,8 milhões), pequena (de R$ 3,8 milhões a R$ 10 milhões), médias (entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões) e grandes (acima de R$ 100 milhões).

Segundo o Empresômetro, a maior parte do agro são MEI (1.243.627 ou 40,92%), incluindo desde pequenos produtores e comércios varejistas em feiras, por exemplo, até trabalhadores rurais e da agroindústria. Ainda há 1.062.001 pequenas empresas (34,95%), 690.032 micro (22,71%), 36.006 médias (1,18%) e 7.276 grandes (0,24%).

Grande parte dos estabelecimentos fica localizada em São Paulo – 1.224.412 ou 40,29% do total. Na sequência, aparecem Minas Gerais (9,22%), Rio de Janeiro (6,46%), Paraná (5,81%) e Rio Grande do Sul (5,16%). Juntos, os cinco Estados abrangem 66,94% do total de firmas do agronegócio brasileiro

O perfil dos produtores

O levantamento do Empresômetro contabilizou 5.378.654 produtores rurais no Brasil, dos quais 3.828.058 são pessoas físicas (71,17%). A maior parte dos que são registrados pelo CPF vive no Nordeste (45,72% ou 1.750.223). Há 749.206 produtores no Sudeste (19,57%), 637.969 no Sul (16,67%), 423.793 no Norte (11,07%) e 266.868 no Centro-Oeste (6,97%).

Só os produtores rurais pessoa física foram responsáveis por movimentar R$ 2,14 trilhões (6,24% do total e 18,95% do setor). Considerando o total comercializado (R$ 7,39 trilhões), eles responderam por R$ 1,32 trilhão (5,72% do Brasil e 17,9% do agro).

No caso do produtor rural pessoa física, os dados foram confirmados cruzando as notas fiscais eletrônicas com cadastros como do Incra e dos Estados. Já que o estudo considerou apenas as transações com emissão de nota fiscal eletrônica, foi possível excluir os gastos pessoais e que não tiveram relação com as operações rurais.

Os cinco Estados com maior número de produtores rurais são Bahia (595.802 ou 15,56% do total no país), Minas Gerais (448.985 ou 11,73%), Ceará (297.445 ou 7,77%), Rio Grande do Sul (269.821 ou 7,05%) e Paraná (225.648 ou 5,89%).

A importância no transporte

Uma das novidades do Empresômetro foi um mapeamento sobre a importância do agro para a logística no Brasil. Como é necessário emitir o documento fiscal eletrônico nas atividades de transporte, o estudo analisou as notas com CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) e concluiu que o agronegócio está diretamente relacionado em 184.768.765 documentos – 10,65% do registrado no país (1.734.306.619).

O levantamento também constatou que as transportadoras emitiram R$ 576,36 bilhões em notas com CTe (valor comercializado). Desse total, R$ 104,62 bilhões estão vinculadas ao agro (18,15%), sendo que os produtores rurais pessoas físicas constam como remetente ou destinatário em R$ 47,98 bilhões das operações (8,33% do total e 45,87% do agronegócio).

“Esse segmento contempla tanto o transporte de soja e milho saindo do campo, por exemplo, quanto outros produtos elaborados pela agropecuária ou finalizados até chegarem ao consumidor. Ou seja, abrange as operações tanto dentro quanto fora da porteira”, salienta Amaral, do Empresômetro.


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